(Autoria: Lene Valente, 2020)
É nas margens destes rios
Que vivo a peregrinar
Nas idas e vindas
Ponho-me a observar
Tantas riquezas naturais
Deste nosso lugar
Apesar de que já houve
Muitas modificações
Das ações do homem
E de suas intervenções
Mas mesmo assim
Somos os anfitriões
Em biodiversidade
E em riqueza natural
De água doce temos
Uma quantidade sem igual
Somos Amazônia
A maior floresta mundial
Pelos Rios e igarapés
É que somos destacados
Pelo modo de vida ribeirinha
Somos caracterizados
Povos das águas e das florestas
Assim somos identificados
O regime das águas
Norteia a vida na região
Enchentes e vazantes ditam
O rítimo de vida da população
Que mora nas suas margens
E tece uma bela relação
Rios e igarapés são fontes
De alimentos e subsistência
Por onde traçamos caminhos
De lutas e resistência
Mergulhados nos saberes
Da nossa experiência
Nas travessias da realidade
Sobre as águas transitamos
Na intimidade com a natureza
Sobre os desafios mergulhamos
E sobre as dificuldades da vida
A nossa luta reforçamos
São os rios que nos levam
Ao encontro com os saberes
Interligados com as águas
Materializamos nossos afazeres
E na natureza identificamo-enos
Enquanto seus seres
A água está totalmente ligada
A sobrevivência local
Através da concreta relação
Com a atividade laboral
Retratando aspéctos econômicos
Históricos e sociocultural
Assim fica evidente que os rios
São territórios por nós habitados
E em constantes movimentos
Por nós são demarcados
Com carinho, muito afeto
E cheios de significados
É nos cursos das águas
A que a nossa rotina se alinha
E pelas margens dos rios
O nosso povo todo dia caminha
E assim se dá o modo de vida
Da população ribeirinha
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